quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Verdade! Por Bento Gonçalves

A história é sempre contada pela ótica dos vencedores das batalhas. Por isso, vemos na maioria dos livros publicados sobre a História do Brasil, que a Revolução Farroupilha foi apenas uma guerra civil, igual a tantas outras revoltas que se espalhou pelo Brasil durante o período regencial (época em que o Imperador Dom Pedro II não possuía ainda a maioriade para assumir o trono brasileiro).

Os autores costumam colocar a história de uma nação, a República Rio-Grandense, que vingou por quase 10 anos, no mesmo "balaio" de revoltas como a Sabinada na Bahia, ou a Cabanagem no Pará. No entanto, poucos destacam que a Revolução Farroupilha (Guerra dos Farrapos após a independência) foi a façanha de um povo que buscava concretizar o ideal de independência - e assim o fez. Possuíamos Constituição própria, exército e marinha constituídos, e reconhecimento internacional, sendo considerada a mais longa revolta das Américas.

Os professores primários costuma ensinar para as crianças: "Ao fim da guerra, os gaúchos optaram por ser brasileiros!". Que mentira! Todos sabemos que a Guerra terminou por uma imposição do império, que no ano da assinatura do tratado de paz, possuía um efetivo militar 20 vezes maior do que os Farrapos. E a propósito, atacar um poderio bélico tão superior, por quase 10 anos, vencendo inúmeras batalhas no período, e sustentar uma República que enfrentava inúmeras dificuldades, é um orgulho para os gaúchos até hoje, e realmente uma façanha que serve de modelo à toda Terra!

Outra "verdade" plantada pelos brasileiros é de que a Revolução Farroupilha não tinha caráter separatista no início, que a proclamação da República feita pelo General Netto foi um ato intempestivo, realizado no calor da vitória em uma batalha. Outra mentira!! Vejam a prova disso logo abaixo, nas palavras de Bento Gonçalves. A idéia separatista sempre esteve presente desde o início. Em uma carta ao regente do Brasil, o padre Diogo Feijó, um mês depois da Batalha da Azenha, ocasião em que os Farrapos tomaram Porto Alegre, Bento já menciona que tem a idéia de separar o Rio Grande do centro do país.

Eles podem mascarar, mentir, desvirtuar a história do nosso povo por meio dos livros. No entanto, jamais poderão apagar as palavras escritas pelos nossos heróis Farrapos. Estas sim contam a verdadeira história e ficarão imortalizadas para sempre na memória de todos os gaúchos!

"Senhor Regente. Em nome do povo da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, depus o presidente Braga e entreguei o governo ao substituto legal doutor Marciano Ribeiro. E, em nome do Rio Grande, lhe digo que nesta província extrema, afastada dos corrilhos e conveniências da Corte, não toleramos imposições humilhantes nem insultos de qualquer espécie.

O Rio Grande é a sentinela do Brasil que olha vigilante para o Rio da Prata. Merece, pois, consideração e respeito. Não pode nem deve ser oprimido por déspotas de fancaria. Exigimos que o Governo Imperial nos dê um presidente de nossa confiança, que olhe pelos nossos interesses, pelo nosso progresso, pela nossa dignidade, ou NOS SEPARAREMOS DO CENTRO e, com a espada na mão, saberemos morrer com honra ou viver com liberdade."


Bento Gonçalves da Silva.
Porto Alegre, 12 de outubro de 1835.

Fonte: Coletânea de Documentos de Bento Gonçalves da Silva. Porto Alegre: IEL/Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, 1985.

Escrito por: Marcelo Alves

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